sábado, 28 de junho de 2008
Começa a ficar tudo demasiado desarrumado. A cama por fazer com as calças do pijama em cima da almofada amarrotada de mais uma noite mal dormida, a camisola no chão pisada uma e duas vezes. As almofadas que servem de decoração quando a cama está como a mamã gosta, estão empilhadas em cima da arca guardadora de tesouros esquecidos no tempo, por baixo, vários livros já lidos que esperam pacientemente lugar na cómoda cheia. Cheia de outros tantos livros, alguns ainda por ler. As molduras estão vazias. "Retratos nas molduras lembram-me pessoas mortas". A secretária já teve melhores dias. Toneladas de papéis fazem-na curvar-se e romper-se em duas, o computador adormeceu e as canetas sem tinta teimam em surgir das gavetas. Para um lado o gravador de voz (importantíssimo para uma aspirante a jornalista), para outro o livro-a-ser-lido. A agenda e a inseparável lapiseira marcam passo ao lado do mealheiro vazio. "Tenho de começar a fazer poupanças". O candelabro está um bocado torto mas as velas que lá vivem parece que não se importam. Importado foi mesmo o CD que está a tocar, que na verdade se importa comigo, ou para ele tocar importa o meu estado de espírito? Não sei, mas serve. O que não serve é as gavetas estarem a abarrotar de coisas que já nem sei o que são ou o que foram. Mas eu gosto de viver no caos. "O caos pode ser uma forma de organização não pode?".
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1 comentário:
As molduras estão vazias. "Retratos nas molduras lembram-me pessoas mortas".
Sim, por isso é que eu nunca consigo ter fotos no meu quarto. Acho que o caos pode ser uma forma de organização, sim. E talvez seja também um reflexo da forma que está tudo organizado cá dentro.
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